MAJOR TOMAS
Major Tomas, o Astronauta de Chumbo, nunca acreditou no heroísmo.
Enquanto muitos olham para o céu procurando esperança, Tomas olha procurando distância. Ele entendeu cedo demais que o fim não é um evento, mas a normose do caos. Enquanto outros sonham com liberdade, ele vê multidões dispostas a trocar seus sonhos por sobrevivência. Para Tomas, liberdade é uma abstração diante de um planeta que já decidiu devorar seus filhos.
Por isso, não teme a guerra, o colapso ou o silêncio das cidades. Ele treina. Cada passo, cada respiração e cada sacrifício o preparam para atravessar aquilo que destruiria os outros. Em Ceres, tornou-se uma lenda viva, um símbolo de disciplina, lealdade e excelência. O décimo terceiro astronauta da estação Ceres II.
Mas Tomas não vê a humanidade como um “pálido ponto azul”. Ele vê um pálido ponto cinza. Cinza-escuro como Ceres, como concreto molhado pela chuva, como a neutralidade fria de quem entendeu que a paz é apenas um acidente.
Mãe Ceres o compreendeu. Porque o ser humano talvez não queira liberdade. Quer sobreviver tempo suficiente para acreditar que venceu. E quando chegar a hora de partir, Major Tomas fará o que sempre fez: seguir em frente.
Não porque ama o espaço, mas porque foi criado para atravessar o vazio. Filho de Mãe Ceres. Astronauta de Chumbo. Habitante do Pálido Ponto Cinza.
E quando a Terra desaparecer atrás da escuridão, ele não sentirá medo.
Afinal, Major Tomas já havia partido muito antes do foguete deixar o chão.
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